quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Quando chorar







Há um tipo de choro bom e há outro ruim.

O ruim é aquele em que as lágrimas correm sem parar e,
no entanto, não dão alívio.

Só esgotam e exaurem.

Uma amiga perguntou-me, então, se não seria
esse choro como o de uma criança com a angústia da fome.

Era.

Quando se está perto
desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar fazer-se
de forte, e enfrentar.

É difícil, mas ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto
de empalidecer.

Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar
a nossa fraqueza.

Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos
direito.

Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele
gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda.

Homem chorar comove.

Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil.

Respeito muito o homem que chora.

Eu já vi homem chorar.

(Clarice Lispector)



Eu choro porque eu quero e ponto.
Todo mundo chora.
Chora quando está alegre.
Triste.
Emocionado.
Irritado.
Contrariado.
Impaciente.
Sozinho.
Só chora.
Quem disse que chorar não pode?
Chorar faz bem.
Não é privilégio de homem ou mulher.
É necessidade de quem está vivo.
Eu choro e ponto.
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