sábado, 27 de outubro de 2007

“Por Toda a Minha Vida” homenageia Nara Leão

Salve Nara Leão!!!



"Sua voz quando ela canta me lembra um pássaro mas não um pássaro cantando lembra um pássaro voando".
Ferreira Gullar



Hoje, fiquei muito emocionado com o Especial que a Globo exibiu homenageando a musa-intrépida-sereia-criativa intérprete da nossa querida MPB, Nara Leão.

Quando a Globo fez o especial de Elis Regina, achei que a Globo deturpou a trajetória dela e perdeu uma grande oportunidade de homenagea-la mas com Nara Leão foi diferente, achei que a emissora acertou a fórmula. A Globo sendo lider de audiencia prestou um grande servico ao transmitir este especial da Nara pois muita gente nao sabe quem foi Nara Leão e nao sabe o quanto ela foi importante para a Musica Popular Brasileira. Nara foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela é a pioneira de uma geração que nos traria tambem Gal Costa, Maria Bethânia(descoberta pela própria Nara), Beth Carvalho (que começou a cantar influenciada por Nara), Elis Regina, Clara Nunes, Nana Caymmi, Alcione, Maria Creuza e tantas outras cantoras maravilhosas.

O especial foi lindo! Eu fiquei emocionado de reviver aqueles momentos (eu nem era nascido mas revivi!!!) e ver os depoimentos de toda aquela gente boa que estava ali naquela cidade maravilhosa (Salve Rio de Janeiro!!!) e gracas a Deus muitos personagens reais daquela epoca estao vivos e eu aqui contemporaneo de todos eles.

O programa exibiu belas imagens de arquivo, depoimentos de familiares e amigos, dramatização e trechos de shows e reportagens, destacando os momentos mais importantes da vida dela como sua paixão pela música, o nascimento do Clube da Bossa Nova no apartamento dos pais de Nara, seus amores e decepções, sua trajetória musical - incluindo suas apresentações em shows e festivais, imagens raras do Show Opinião, o áudio da primeira apresentação pública, seu interesse pela política, sua vocação para descobrir novos talentos, o casamento com Cacá Diegues, a maternidade e a descoberta da doença.

Um das historias que mais me emocionou neste programa foi saber que Carlos Drummond de Andrade, poeta que eu adoro, fez um poema pra ela durante a ditura militar que estava instaurada no Brasil em 1964. Naquela epoca era comum que artistas fossem presos por expressarem idéias contrárias ao regime. Em 1966, a doce Nara lançou críticas aos militares, muitos temeram que tal ousadia teria como castigo uma temporada no cárcere e o ilustre poeta mineiro CDA intercedeu por ela com a melhor arma de que dispunha: a poesia. O apelo é dirigido diretamente ao presidente da época, o marechal Castelo Branco. E, mineiramente, Drummond desferiu sutis alfinetadas no regime. Ninguém ousou encarcerar Nara Leão.

Vejam o belissimo poema de Carlos Drummond de Andrade:

Uma graca!!!!




Meu honrado marechal
dirigente da nação,
venho fazer-lhe um apelo:
não prenda Nara Leão (...)

A menina disse coisas
de causar estremeção?
Pois a voz de uma garota
abala a Revolução?

Narinha quis separar
o civil do capitão?
Em nossa ordem social
lançar desagregação?

Será que ela tem na fala,
mais do que charme, canhão?
Ou pensam que, pelo nome,
em vez de Nara, é leão? (...)

Que disse a mocinha, enfim,
De inspirado pelo Cão?
Que é pela paz e amor
e contra a destruição?

Deu seu palpite em política,
favorável à eleição
de um bom paisano – isso é crime,
acaso, de alta traição?

E depois, se não há preso
político, na ocasião,
por que fazer da menina
uma única exceção? (...)

Nara é pássaro, sabia?
E nem adianta prisão
para a voz que, pelos ares,
espalha sua canção.

Meu ilustre marechal
dirigente da nação,
não deixe, nem de brinquedo,
que prendam Nara Leão.


* Gente , este poema eh barbaro!!!


A luta da Nara para continuar viva foi uma das maiores declarações de amor e coragem. Fiquei emocionado de ver o depoimento do filho dela, Francisco, que disse que quando a escuta a mãe no rádio, sente como se ela estivesse cantando para ele.

Este especial me fez ter uma fome de Nara Leao, depois do programa fui pesquisar sobre Nara na internet e descobri que ela morreu no mesmo dia em que morreu o jornalista, escritor, poeta e tradutor paranaense Paulo Leminski em 7 de junho de 1989.

Eu que tenho apenas dois discos dela quero devorar tudo sobre Nara, quero ler o livro "Nara Leão - uma biografia" da Lumiar Editora que Sérgio Cabral publicou e tambem adquirir duas caixas com a toda a discografia dela e o DVD do Programa Ensaio de 1973 certamente estes serao os presentes que me darei no Natal.



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