sábado, 19 de abril de 2008

Omara Portuondo e Maria Bethânia em Brasília

Foto de Silvio Pinto

Ontem a noite eu fui me aventurar na segunda apresentação da turnê de Omara Portuondo e Maria Bethânia em Brasília e saí de lá encantado com a apresentação das duas. Que graça de espetáculo!

Em 2007 elas gravaram um CD que abre com duas cantigas de ninar. "Lacho" (composta por Facundo Rivero e Juan Pablo Miranda) é cantada por Omara, e depois vem Bethânia, com "Menino Grande" (Antonio Maria). E neste cd elas interpretam algumas músicas juntas como "Tal Vez" (Juan Formell), "Você" (Heckel Tavares e Nair Mesquita) e "Para Cantarle a Mi Amor" (Orlando de La Rosa) desfilando tambem pelas músicas de Chico Buarque, Gonzaguinha, Julio Brito, entre outros compositores brasileiros e cubanos.

Apesar de curto, eu gostei do disco pois ele é suave, já o show das duas ali no palco é uma coisa bem maior, bem grandiosa, é um show muito bonito que traz a beleza da simplicidade e retrata as cores e o som do Brasil e de Cuba, a gente percebe isso nos cenários, nas luzes e nos músicos que sao impecáveis!

O show foi dividido em quatro partes, elas abrem o show cantando "O cio da Terra" (Milton Nascimento e Chico Buarque), "Calix Bento" (Tavinho Moura), "Gente Humilde" (Vinicius de Morais e Chico Buarque). Daí, Bethania fica sozinha no palco e faz um passeio na MPB cantando "Arrependimento" (Fernando Cesar e Dolores Duran), "Escandalosa" (Djalma Esteves e Moacir Silva), "A Bahia te espera" (Herivelto Martins). Depois ela deixa o palco (neste momento que eu acho que Bethânia troca de roupa), daí Omara é quem fica no palco. Foi nesta hora que eu comecei a ficar impressionado com Omara Portundo! Eu nao sabia nada dela e fiquei admirado com ela, ela meio que ofusca Bethania no show. Ela cantou pérolas do cancioneiro da década de 60 como "Cubanacan", "Tal vez", "Veinte años", "Dos gardenias" (que Maria Rita gravou) e "Drume negrita". Ao ve-la ali interpretando no palco, me veio uma pergunta a mente: Será Omara Portuondo a Ella Fitzgerald cubana??? Senti uma coisa jazzística nela, adorei a improvisação. Bethânia nao tem essa musicalidade de improviso, ela trabalha com emoção.


Outra coisa muito bonita que eu senti no show foi que apesar da grandiosidade de Bethania, ela em nenhum momento quis ser mais do que Omara, pelo contrário, a impressao que eu tive é que Bethania está fazendo este show para reverenciar Omara. Foi lindo demais ver as duas se reverenciando em "Havana-me" (Joyce e Paulo Cesar Pinheiro). Foi um encontro raro e único!!! São duas divas, uma das maiores intérpretes de bolero da Cuba ao lado de uma das vozes mais representativa da MPB tudo isso unindo Brasil e Cuba, dois países cuja cultura é intimimamente ligada pela mesma raiz, a África!

Segue videozinho da Biscoito Fino que fala deste trabalho lindo:



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