domingo, 4 de maio de 2008

Arnaldo Antunes em Brasília

Sabe, eu nao posso reclamar de Brasilia em relação a shows, Brasilia tem melhorado muito em matéria de shows. Recentemente foi inaugurado aqui mais um espaço para espetáculos, (Espaço Brasil Telecom), temos o CCBB que de vez em quando traz projetos musicais muito interessantes, temos a Caixa Cultural que neste final de semana está trazendo o Arnaldo Antunes, temos o Teatro Nacional, o Centro de Convenções, o Teatro dos Bancários, totalizando 6 espaços para shows e ainda tem o SESC do Plano e o SESC de Taguatinga... Os brasilienses aventureiros como eu, nos últimos dias puderam conferir Rita Lee, Roberta Sá, Ney Matogrosso, Maria Bethania e Omara e ainda vai ter Mercedes Sosa, Zizi Possi e Lenine neste mês de maio. Sabe, tem rolado shows bons aqui, não estamos tão ruim, claro que não tem a mesma quantidade de shows que tem em São Paulo (também acho que eu quero demais), mas eu adoraria se fosse como em São Paulo que as vezes em um só final de semana dá pra assistir um show na sexta, outro no sábado e outro no domingo! Três shows diferentes! Será que é pedir muito se Brasilia também fosse assim?


Arnaldo Antunes em Brasília




Na postagem de hoje, vou falar sobre o show do Arnaldo Antunes, o Arnaldo é um mistério!!! Ele é uma figura ímpar, aquele vozeirao grave, o jeito dele fazer show é esquisito, estranho, engraçado, diferente, ele é desengonçado, dá uns passos esquisitos, diferentes, faz gestos, trejeitos, eu acho engraçado e imagino que as crianças devem gostar muito destes movimentos que ele faz no palco. Ele pega o microfone e também o pedestal e quando você vai ver, ele já está com o pedestal de cabeça pra baixo, girando e de uma hora pra outra ele agacha, ou entao bate no peito, ou entao dá uns trimiliques. Eu acho interessante isto porque eu fico tentando associar estes movimentos com a letra e a melodia da música que ele está cantando. Eu gosto do trabalho do Arnaldo Antunes, um artista gravado por Bethânia, Marisa Monte, Ney Matogrosso, Rita Lee, compôs canções com GIlberto GIl, Adriana Calcanhoto, tem toda uma trajetória na música pois ele integrou os Titãs, uma das bandas de rock mais importantes dos anos 80, sem contar que ele é poeta, artista visual, faz poemas visuais, trabalhos gráficos e plásticos, é um escritor inteligentíssimo, um gênio!



Eu já disse aqui em postagem anterior que eu não gostava dele pois não conseguia entendê-lo, mas através do CD "Qualquer" passei a gostar muito dele. E neste show ele cantou as músicas do DVD que ele acaba de lançar, um trabalho como se fosse o album "Qualquer" ao vivo. É muito interessante a sonoridade deste trabalho!

A maioria das canções me encantam pela doçura e serenidade, como "Num Dia" (Chico além, Hélder Gonçalves, Manuela Azevedo, Arnaldo Antunes) ADORO ESTA MÚSICA!, "Contato Imediato" (Carlinhos Brow, Marisa Monte, Arnaldo Antunes).

No show ele também cantou "Qualquer" (Helder Gonçalves, Manuela Zevedo, Arnaldo Antunes), "Fim do Dia" (Arnaldo Antunes e Paulo Miklos), "Pedido de Casamento" (Arnaldo Antunes), "Socorro" (Alice Ruiz e Arnaldo Antunes), "Saiba" (Arnaldo Antunes) que Adriana Calcanhoto gravou no cd Partimpim, "Quarto de Dormir" (Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci), "As coisas" (Gilberto Gil e Arnaldo Antunes), "Luzes" (Paulo Leminsky), "Judiária" (Lupicínio Rodrigues) fiquei impressionado desta música ser do Lupicínio, "Qualquer coisa" (Caetano Veloso), "Se tudo pode acontecer" (Alice Ruiz, Arnaldo Antunes, João Bandeira, Paulo Tatit), "Não vou me adaptar" (Arnaldo Antunes), "O que" (Arnaldo Antunes) e "O pulso" (Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/Antonio Bellotto), estas três são da época que ele dos Titãs, entre outras.

Fiz um videozinho da canção "Hotel Fraternité", vejam as imagens do telão atrás. Esta belíssima canção é sobre um poema de Hans Magnus Enzensberger, que foi traduzido por Aldo Fortes e que Arnaldo musicou. É de uma sensibilidade incrível!



Hotel Fraternité
Arnaldo Antunes
Composição: Arnaldo Antunes / Aldo Fortes / Hans Magnus Enzensberger


Aquele que não tem com o que comprar uma ilha
Aquele que espera a rainha de sabá na frente de um cinema
Aquele que rasga de raiva e desespero sua última camisa
Aquele que esconde um dobrão de ouro no sapato furado
Aquele que olha nos olhos duros do chantagista
Aquele que range os dentes nos carrocéis
Aquele que derrama vinho rubro na cama sórdida
Aquele que toca fogo em cartas e fotografias
Aquele que vive sentado nas docas debaixo das gaivotas
Aquele que alimenta os esquilos
Aquele que não tem um centavo
Aquele que observa
Aquele que dá socos na parede
Aquele que grita
Aquele que bebe
Aquele que não faz nada

Meu inimigo
Debruçado sobre o balcão
Na cama em cima do armário
No chão por toda parte
Agachado
Olhos fixos em mim
Meu irmão






Arnaldo Antunes, por Kipper.

Conheça melhor o trabalho de Arnaldo Antunes visitando o site: http://www.arnaldoantunes.com.br

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