terça-feira, 17 de março de 2009

Adeus, Clô!!!




Clodovil era carismático, querido pelas donas de casas, tinha muito bom gosto, espontâneo, doce, irreverente, tinha gênio forte, era também arrogante, provocativo, sarcástico, irônico, antipático, debochado, polêmico, ousado, destemido, não levava jamais desaforo pra casa e tinha uma resposta à altura pra alguém que levantasse o dedo pra ele em riste. Eu admiro pessoas assim.

Ele veio de origem humilde, venceu muito preconceito com muito talento e trabalho. Ele era também um homem de bom coração, quando fui a Ubatuba, cidade onde ele tinha uma casa, ouvi de moradores de lá que Clodovil era uma pessoa muito caridosa chegando inclusive a distribuir comida pra moradores debaixo da ponte.

Eu achava ele divertido mesmo quando ele era indelicado. A maior qualidade dele foi ser esta pessoa corajosa que ele era, ele era autêntico, sempre dizia o que pensava e nao se importava com ninguem. Ele tinha dignidade.

Elis Regina se estivesse viva completaria hoje 64 anos, Clô foi embora bem no dia do aniversário de Elis que era muito amiga dele. Clodovil foi pioneiro na auto-costura brasileira, foi também um grande comunicador. Ele tinha muito talento, vai fazer falta! Que pena! Na política, era ele quem ia dar um tom cor de rosa para o Congresso, um tom mais alegre, ainda mais agora que ele havia sido absorvido do processo de infidelidade partidária.

Algumas frases de Clodovil Hernandez:

Folha 2007:

"Eu entrei (na política) mais para ser garoto propaganda da Câmara do que qualquer outra coisa. Porque não tenho feito nada. Eu vim aqui para trabalhar e não para brincar."

Folha 2007:

"Eu sou do tipo de homem que gosta verdadeiramente de mulher porque eu nunca enfrentei uma mulher."

Primeiro discurso na Câmara dos Deputados, em 2007

"Digo aos senhores que a única coisa de que tenho medo --já me fizeram muito medo aqui, como estrangeiro que sou nesta Casa-- é da expressão 'decoro parlamentar'. Eu não sei o que é decoro, com um barulho destes enquanto um deputado fala. Eu não sei o que é decoro, porque aqui parece um mercado! Nós representamos o país! Não entendo por que há tanto barulho enquanto um orador está falando. Nem na televisão, que é popular, fazem isso."

Ao ser barrado na Câmara, ele estava sem gravata:

"Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"

Folha 2007:

"É claro que vou precisar de apoio, porque sozinho a gente não consegue nem se masturbar --tem de pensar em alguém."

Folha, em 2006

"Você conhece alguém com 70 anos que tenha essas pernas?"

Guia da Folha, em 2006

"Estava desempregado e não tenho cara de pobre; não conseguiria nem inventar uma. Precisava fazer alguma coisa. Acordei num domingo de manhã, depois de operado de câncer de próstata, e resolvi escrever um espetáculo. Você sabe, o segredo da cura é o bom humor."

Guia da Folha, em 2006

"Se o Collor tinha aquilo roxo, o meu é cor de rosa-choque."

Site G1, em 2006

"As donas-de-casa me adoram porque sabem que eu vim de baixo. Vivi a história da Cinderela. E pobre gosta mesmo é de luxo."

Em reunião de deputados eleitos e empresários na Fiesp, 2006

"Já sei que vou ser assediado o tempo inteiro em Brasília, porque as pessoas pensam que eu sou um idiota, que vou lá fazer frescura na Câmara. Não. Viver é um ato político."

Em outras ocasiões:

"-As pequenas frescuras é que fazem a vida mais gostosa"

"-Aff! Esse papo não combina com meu perfume francês"

Descanse em paz, Clô!






Clodovil e a mãe
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