sábado, 20 de junho de 2009

Release de "Pelo Sabor do Gesto"





Estou de volta depois de um periodo de férias, fiz uma viagem a Bauru e a São Paulo e hoje vou falar deste momento delicioso que estou vivendo que é exatamente esta expectativa maravilhosa de "descobrir" um CD novo pela primeira vez!!! Esta coisa gostosa de ler todas a letras do encarte devagar, prá saborear cada informação, cada novo parceiro, desenhos, figurinos, ver quem fez o figurino, a maquiagem, as fotos.

Fiquei muito feliz em Sampa porque foi justamente lá 3 dias antes do lançamento oficial que eu encontrei este tão sonhado CD!!!

E a primeira vez que a gente coloca o CD prar tocar na "vitrola"??? Meu Deus, não há momento mais feliz do que este!!!! Ficar sozinho num canto, abrir o encarte, ouvir cada melodia pela primeira vez, acompanhar a letra, sentir a musicalidade, a sensibilidade da Zélia em cada detalhe, reconhecer a Zélia a cada acorde, a minha tão querida Zélia......e ao final, super emocionado, feliz, ansioso, dizer, pensar,gritar:

QUE SORTE A MINHA SER CONTEMPORÂNEO DA ZÉLIA!!! ESTAR NESTE MUNDO NESTE MESMO PERÍODO QUE ELA ESTÁ!!!! rs


É perfeito, lindo, magistral, sublime, harmonioso, radiante, introspectivo, poético, romântico e sensível este novo cd dela!


Trago na Aventura Musical de hoje parte do encarte deste disco, é lindo, uma verdadeira obra de arte com desenhos de Brígida Baltar e também o realease que Zélia escreveu ao lançar este cd:


Categoria: Música

PELO SABOR DO GESTO-2009

Por que gravar um álbum inteiro em tempos sem tempo como agora? Pra que esse encarte lindo, com desenhos de Brígida Baltar e fotos tiradas em Santa Teresa por Emanuelle Bernard? E pra que complicar tudo, escolhendo dois produtores, um de Belo Horizonte (John Ulhoa) e outro de São Paulo (Beto Villares)?

As perguntas são muitas antes de gravar e depois de intensas angústias e incertezas, as respostas começam a pipocar, proporcionais às atitudes e coragens exigidas pela empreitada. Sim, mais um álbum. Porque ainda é como preciso me expressar. Ainda é a maneira de transformar a minha vida em algo que chegue até alguém. E também porque essa profissão maluca só se realiza em ouvidos alheios. E daí a certeza do nome deste trabalho, PELO SABOR DO GESTO. Afinal, comecei a cantar por intuição, porque era irresistível, porque sempre foi o que deu sentido pra mim. Portanto, a saga continua e pelo sabor daquele primeiro gesto em 1981, o show não pode parar.

Quem vai comprar, se vai comprar, se vai baixar, se vai pagar 3 reais numa esquina sem lei, com qualidade péssima, se vai ouvir as introduções com mãos nervosas, que sempre anseiam pela próxima faixa, bem, isso eu não sei, nem posso querer controlar. Mas sei que quem se interessar em adquirir, seguir as letras, ouvir os arranjos, conhecer os músicos e parceiros, vai ter alguns caminhos por aqui.

Dois produtores, porque me sinto aberta em várias direções e já dei milhares de sinais dessa abertura. Meu último trabalho autoral foi em 2005, o batalhado e mais elogiado da minha carreira, Pré Pós Tudo Bossa Band, que aliás, tinha três produtores. A turnê durou quase quatro anos, paralela a Mutantes e o trabalho com a cantora Simone, entre outras mil coisas que inventei pra mim nos últimos tempos.

Beto Villares trabalhou comigo pela primeira vez em Sortimento(2000). Me foi apresentado por Herbert Vianna, no lançamento de O Som do Sim, no qual havia trabalhado duas faixas. Beto me traz sempre um tom arrojado e inesperado em seus trabalhos comigo. E São Paulo é fornecedora sem fim de músicos de todas vertentes e regiões, isso traz muita originalidade para as interpretações e sonoridades, além dele mesmo ser um músico que se joga sem rede de segurança nas canções e sai tocando desde piano, violão, guitarra, ukulele, até o tal do guitaron, cuja afinação oficial niguém ali sabia direito e nisso estava todo charme daquele som de corda frouxa e graves absurdos, que se ouve na faixa Duas Namoradas(Itamar/Alice Ruiz), por exemplo. Beto também deita e rola nos sons do mellotron de verdade que existe em seu estúdio. Se trata de um vovô sampler, daqueles usados por George Martin em arranjos dos Beatles, um som cultuado hoje em dia , justamente por ter esse renovado gosto vintage, que tanto nos fascina atualmente. Beto Villares é um cara sofisticado em suas escolhas e no jeito de ver a música e esse olhar tem sido muito importante pra minha vida, desde que nos conhecemos.

John Ulhoa, sim, o John do Pato Fu, sim, o marido da queridíssima Fernandinha Takai, é ele mesmo. Saibam de uma vez por todas, esse cara é um grande produtor. John ficou com as faixas que considerei mais pop’s a princípio. Na verdade foi de novo um lance mais intuitivo do que qualquer coisa e quando ouço o resultado, tenho certeza de que acertamos nessa divisão do repertório pra cada um. John tem capricho, cuidado, espontaneidade e graça nos arranjos. Ele é um cara muito específico nos seus gostos e decisões musicais, isso significou uma liga incrível e poderosa para cada faixa. John me trouxe frescor, leveza e até uma doçura que fizeram muito bem ao resultado geral do trabalho. Eu comecei o disco com ele, em Belo Horizonte, na paz de seu estúdio feito nos fundos de casa, porém nada caseiro em termos de som e qualidade. Através dele conheci três músicos novos, literalmente: Mariá Portugal (bateria), Thiago Braga (baixo) e aquele que além de ter se tornado meu parceiro, tocou também na fase de São Paulo, Marcelo Jeneci. John também é um músico que não se intimida com instrumentos, tocou sua guitarra característica, rítmica e com aquela mão direita que grita certeira nas bases, bem como violões, bandolim, programações, brinquedos e teclados. John é sério e lúdico, um observador afiado das idiossincrasias próprias e alheias, o que faz dele um cara divertido e comovente.

Beto e John são amigos, se admiram. Beto já produziu um álbum do Pato Fu, isso tudo fez com que eu tivesse mais certeza de que daríamos um jeito de tudo soar natural quando as faixas se misturassem na masterização. E soou.

As Parcerias

Há muitas parcerias inéditas e mesmo inesperadas aqui, como as duas versões que fiz de canções que fazem parte da trilha sonora do filme Lês Chansons d’Amour, do cantor e compositor francês, Alex Beaupin. Uma abre o disco, Boas Razões, num clima meio western, com participação especialíssima de Fernanda Takai.

A outra batiza o trabalho, Pelo Sabor do Gesto, que ganhou do John um arranjo quase lírico, com cordas e bandolim, entradas e saídas de som, que vão ornando a letra e se revelam muito emocionantes. No filme, dois personagens discutem o amor passageiro e o amor que dura. Optei por uma versão de apenas uma pessoa, que reflete sobre o tema.
Fui arrebatada por esse filme no segundo semestre de 2008 e me veio a vontade de trazer isso comigo. Foi um longo caminho até conseguirmos as autorizações, mas deu certo, tinha que ser.

Consegui reunir parceiros que admiro faz tempo e que fazem parte da minha geração com força, como Chico César , Zeca Baleiro e Moska.

Zeca me mandou uma letra tão linda (Se Um Dia Me Quiseres ,sem saber que eu quase não faço melodias...então eu fiz! Não podia perder a possibilidade de ter aqui palavras que me tocaram tanto. Ela tem um clima meio misterioso e uma levada singular de Érico Theobaldo na bateria.

Com Chico é Esporte Fino Confortável, um funk brasileiro, suingado e brincalhão. Chico foi me visitar no estúdio e claro, foi capturado nos vocais! Jeneci belisca o teclado wurlitzer, enquanto Antonio Pinto(bateria), Ryan(baixo) e Beto(violão), dão conta do resto.

E fechando esse trio de contemporâneos mais próximos, meu já parceiro e aqui mais uma vez comigo, Moska em Sinto Encanto. Esta, um pouco mais filosófica, traz quase que uma idéia central do disco e do que significa o ato de cantar pra mim. A base é viajante, violão, guitarra, baixo e uma percussão que apenas se insinua, envolvem e flutuam junto com a letra.

Entre as surpresas, Dante Ozzetti, conhecido compositor, violonista e arranjador paulista, parceiro de Luiz Tatit, assina comigo a atmosfera intrigante de Se Eu Fosse, letra que enviei ano passado e me voltou em forma de música, sem que nada fosse mudado. Sempre fui fã de Dante e seus caminhos musicais. Na composição ele já sugeria a linha de baixo que seguimos também com a voz. O arranjo foi saindo das mãos do Beto com extrema naturalidade, a letra sugere um passeio pelos gêneros musicais, mas musicalmente ela é diferente, fala por si mesma, tem um sotaque paulista com o qual me identifico muito.

Quando decidi convidar John para produzir algumas faixas e já gostando tanto dele como autor, mandei também uma letra, que ganhou o nome de Tudo Sobre Você, uma balada que inaugura nossa parceria que apenas começa. Com direito a especial com baixo acústico, banjo e assovio, é talvez a música mais divertida de todas e traz o elemento folk, tão natural pra mim, na comissão de frente.

E então, aos 46 do segundo tempo, enviei uma letra pro meu novo amigo, Marcelo Jeneci e fizemos Todos Os Verbos, canção que se integrou e completou o repertório de forma suave e bem-vinda. Cheia de mellotrons (sax, flauta, trompa), ela parece que saiu de uma caixinha de música antiga, tem uma atmosfera retrô embora soe moderna.

Único que assina duas faixas comigo é Edu Tedeschi,outro paulista que conheci na platéia de um show. Tem personalidade e firmeza pra compor, uma surpresa muito agradável na minha vida. Aberto já está na rede há algum tempo com outro arranjo, feito por Ézio Filho e minha banda, para virar um divertido clip, no estilo feito em casa, dirigido por Ana Beatriz Nogueira. O arranjo do disco é mais suave e soa mais acústico. Nem Tudo ganhou a nobre função de encerrar os trabalhos. Aqui o arranjo de John tem grande importância inclusive para o resultado da composição. Com jeitão pop George Michael e uma letra de paradoxos, ela vibra no final da audição e deixa a porta escancarada, nem tudo que acaba aqui deixa de ser infinito.

Regravações

São três.
Telhados de Paris, de Nei Lisboa, importante compositor gaúcho. Guardei essa canção por muitos anos, tocava no quarto, nas passagens de som e resolvi que já era hora de um registro. John fez um arranjo irresistível, meio mântrico, não imagino mais de outro jeito.

Os Dentes Brancos do Mundo, de Marcos e Paulo Ségio Valle, essa dupla incrível de autores de músicas lindas e importantes. Conheci na voz deliciosa de Evinha, uma gravação do final dos anos 60, arranjo épico, lindo, cheio de orquestra e instrumentos que entram e saem. Eu e Beto optamos por um arranjo mais cru, deixamos a canção falar por si, é um momento mais vazio e muito macio do disco.

Ambição, de Rita Lee,era uma música de novela (O Astro), em 1978. Mais tarde Rita regravou com uma outra letra, eu optei pela original, que adoro e considerei valer muito à pena relembrar uma balada irresistível como essa. John pensou em homenagear Ovelha Negra, com uma sonoridade bem rock n’roll, baixo, batera, piano acústico, guitarra, fizemos alguns vocais e muita, muita alegria de ter essa no repertório.

Uma inédita de Itamar Assumpção e Alice Ruiz, Duas Namoradas suinga nas congas de Maurício Alves e no guitaron disfarçado de baixo de Beto Villares. Ainda muitos vocais e mellotron, ficou um charme, como merece essa deliciosa descoberta.

Um disco novo e tão acompanhado de perto como esse está sendo, é sempre um acontecimento delicado e maravilhoso na vida de uma cantora. Tem gente dizendo que estou mais suave, outros que mais romântica, outros ainda que é a maturidade, eu acho graça...me sinto sempre começando.

Zélia Duncan
























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